Artigos Manoel Neto - “Tenham a coragem de ser felizes”

“Tenham a coragem de ser felizes”

A passagem do Papa Francisco pelo Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), ficará marcada na história do país e na memória dos brasileiros. A cada aparição pública que fez, o Papa conseguiu encantar a multidão que participava do evento. Com simplicidade e carisma, o Santo Padre fez declarações que estão repercutindo entre os cristãos, principalmente nos discursos de fácil entendimento e profundo significado. Parecia abrir nossas mentes para temas atuais, vivenciados por todos nós, mas que não é comum discutirmos de modo tão amplo e aberto.

            De todos os discursos, encontros e entrevistas que fez inclusive de forma inédita para um Pontífice, o que me chamou mais atenção foi o ultimo que ele realizou com os voluntários que trabalharam na jornada. De forma aberta e entusiástica, o Papa Francisco falou aos jovens como se estivesse se dirigindo individualmente a cada um numa cadeira de confessionário e, olhando nos olhos daquela gente via alegria, fé e esperança de termos um país melhor daqui pra frente. Ele soube aproveitar cada momento, e não perdeu tempo quando colocou nas mãos da juventude toda responsabilidade de mudança do mundo, nas suas mais diversas instâncias com seus sucessivos problemas. Gostei muito quando ele disse que os jovens tinham que ser mais “revolucionários” e rematou com a frase: “Tenham a coragem de ser felizes”, a propósito, o tema que escolhi para este artigo.

            Esta coluna chamada Mensagem Empresarial, - que escrevo com frequência a mais de três anos e no qual agradeço ao meu amigo Lenilson Oliveira -, dedico aos assuntos de economia e negócios, esse artigo não vai ser diferente dos demais e não vou sair da linha, porém você pode está se perguntando o que esta frase do Papa tem haver com economia? Muito!

            Tenho dedicado grande parte do meu tempo a estudar e/ou pesquisar sobre a situação econômica atual do Brasil e do povo brasileiro. Deparo-me com números impressionantes de descontrole financeiro por parte de muitas pessoas que, sem muito critério ou planejamento, saem gastando ou comprometendo-se à longo prazo, chegando a ponto de sacrificar sua vida e até de sua família em nome de uma felicidade à curto prazo. Claro, felicidade é um estado de espirito que experimentamos em momentos de lazer, de prazer, de conquistas e de vitórias, mas, muitos desses momentos de felicidades têm um custo muito alto e extremamente passageiro, por exemplo: Eu compro um carro novo (aliás, o sonho de consumo de dez em cada dez brasileiro) em parcelas suaves e prazos a perder de vista sem ter planejado direitinho a viabilidade dessa aquisição naquele momento, aproveito a facilidade de crédito e me comprometo pelos próximos 5 anos (60 parcelas). A felicidade está estampada na minha cara, ando de carro novo e todos veem como eu estou feliz, alegre e sorridente. O meu salário daria pra eu comprar um veiculo usado, mais barato e com prestações melhores e prazos menores (logicamente com menores juros também), mas eu tenho um vizinho que tem um carro novo e eu quero um igual ao dele para não ficar por baixo (isso acontece muito!), então, com o tempo, lá em casa começa a faltar dinheiro para as prioridades e/ou necessidades básicas e o que era felicidade se transforma em pesadelo.

            Quando cito o exemplo de um carro, pode ser qualquer objeto comprado sem planejamento, do mais barato ao mais caro, a felicidade de adquirir é muito grande, é momentânea, é sensacional, é do ser humano, porém quando eu conquisto essa felicidade dentro do meu planejamento, das minhas posses, depois de ter sido sincero comigo mesmo e não acompanhar modismos de um mundo altamente consumista, aí sim, encontro a felicidade. Algumas pessoas enxergam seu nariz melhor do que você, portanto, é necessário saber ouvi-las, ao mesmo tempo, dar voz ao seu coração para buscar a força e a criatividade que existe dentro de você mesmo, não dê um passo maior do que a perna.

            É fácil tomar uma decisão dessas? Claro que não. Quando o Papa fala para termos coragem de ser feliz, é no sentido de renunciar a muitos apelos de consumo que existem e construir nosso próprio destino, feliz com o que faz, com o que usa e com quem anda, está disposto a dar um passo para trás para dar dois para frente e fazer coisas diferentes da grande maioria afinal, não há nada que boa vontade, foco, persistência e planejamento não resolvam.

            Temos que quebrar paradigmas, romper barreiras, ser revolucionários e termos a coragem de ser felizes.

 

Manoel Lins de Oliveira Neto

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